Saque no FGTS vai significar fim do programa Minha Casa Minha Vida

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) “dá” com uma mão e tira com as outras duas. Vide o caso do saque de R$ 500 no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

A propaganda do governo federal é que esse saque adicional de recursos vai “beneficiar” 10,1 milhões de pessoas com R$ 2,6 bi até o Natal.

Duas coisas essenciais são omitidas:

1- o montante do dinheiro deve ser drenado para o sistema financeiro, pois a pressão é enorme para a diminuição da inadimplência; e
2- o evidente desmonte da poupança habitacional, qual seja, o programa Minha Casa Minha Vida.

O leitor deve estar careca de saber que as casas populares eram financiadas nos governos Lula e Dilma, ambos do PT, pelo dinheiro dos próprios trabalhadores depositados na Caixa a título do FGTS.

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A ideia de disponibilizar R$ 500 para quem tinha até um salário mínimo na conta (R$ 998) em 24 de julho, a princípio soa como coisa de Papai Noel, mas não é bem assim. O objetivo político, além de desmontar o programa da casa própria e de ajudar os bancos, também é aplacar o impacto do desemprego.

Parece pouco, mas quinhentos reais para quem está sem emprego pode ser bastante coisa nas festas de fim de ano. Segundo dados oficiais, 12,3 milhões de contas serão beneficiadas com a liberação do saque.

A transferência dos R$ 500 reais do FGTS dar-se-á após a sanção de uma Medida Provisória que será assinada pelo presidente Bolsonaro.

Portanto, o trabalhador desempregado terá a oportunidade de comprar uma dúzia de ovos acionais para o Natal, porém, a médio prazo, ficará sem a possibilidade de financiar um teto próprio porque o Minha Casa Minha Vida está sendo desidratado. Ou melhor: destruído para resolver um problema criado pelo governo neoliberal, cujo índice de desocupados é o maior do planeta Terra.